Antônio Conselheiro Separador Bello Monte Separador A Guerra Separador Iconografia Separador Textos Separador Livros Separador Músicas Separador Contato
 
   
  A Guerra   Pagina Inicial     
 
14 de Julho - 1897

Com uma salva de 21 tiros de artilharia, o comando da IV Expedição Militar comemora em pleno sertão nordestino, e em meio a um autêntico massacre contra os conselheiristas, o aniversário da Revolução Francesa: Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

 

18 de Julho - 1897

Os militares promovem contra a resistência canudense o grande assalto de 18 de Julho. Todas as forças foram acionadas e 3.400 homens iniciam a ofensiva. Durante várias horas o combate foi sem tréguas e a muito custo os soldados conseguem transpor o rio e dominar um pequeno trecho de casas da periferia, porém, devido ao fogo cerrado, tornava-se impossível avançar mais. Ao final do dia, as perdas eram assustadoras e o Exército acusava 947 baixas e uma cruel constatação: o grande assalto fracassara.

 

23 de Julho - 1897

O General Artur Oscar, comandante em chefe da IV Expedição, faz um relato dramático da situação das forças militares e pede ao governo federal um reforço de 5.000 soldados. O desânimo predominava em toda a tropa e as baixas chegavam à casa de 2.000 homens. O transporte de víveres e de munição era muito perigoso, pois os conselheiristas promoviam emboscadas pelas estradas, dificultando assim o abastecimento e a comunicação da Expedição com a base das operações em Monte Santo (BA). Os oficiais que tinham participado da Guerra do Paraguai (1865 - 1870), afirmam: "jamais vimos combates como os de Canudos".

 

24 de Julho - 1897

O Governador Luís Viana declara ao jornalista Fávila Nunes correspondente especial de guerra da Gazeta de Noticias (RJ): "Se for pegado Antônio Conselheiro, tudo estará terminado; se porém ele fugir, será preciso persegui-lo onde quer que esteja, para não formar mais grupos".

 

05 de Agosto - 1897

De Salvador (BA), partem para Canudos 24 estudantes de medicina com o objetivo de servir nos hospitais de sangue do Exército.

 

07 de Agosto - 1897

Euclides da Cunha desembarca do vapor Espírito Santo em Salvador (BA), como correspondente de guerra do jornal O Estado de São Paulo, periódico no qual já havia escrito dois artigos intitulados "A Nossa Vendéia", publicados em 14 de Março e 17 de Julho de 1897. Euclides demonstrava vivo interesse no tema, e nas semanas seguintes recolhe material de pesquisa e entrevista soldados feridos e prisioneiros conselheiristas recém chegados da zona de combate. No final do mês, vai para o palco da guerra, passando por Queimadas e Monte Santo, chegando em Canudos a 10 de setembro e ficando até 3 de outubro, dois dias antes do final da guerra.

 

08 de Agosto - 1897

Parte de Monte Santo a famosa Brigada Girard. Formada originalmente por 1.090 homens, com 850 mil cartuchos Mauser, ao longo do caminho foi se reduzindo drasticamente, pois a proximidade do cenário da guerra provocava uma crescente onda de deserções de praças e pedidos de baixas de oficiais que envolveram até mesmo o seu comandante, o General Girard. A famosa e intrépida Brigada se apresenta dia 15 no Alto da Favela, com um Major comandando 800 homens amedrontados e o apelido nada lisonjeiro de "mimosa".

Escapa, escapa, soldado
Quem quiser ficar que fique
Quem quiser morrer que morra
Ha de nascer duas vezes
Quem sair desta gangorra
(João Melchiades, poeta paraibano, ex-soldado na guerra de Canudos, citado por
Paulo Monteiro Varjão, 96 anos, morador de Canudos).

 

30 de Agosto - 1897

Chega a Queimadas, o Marechal Carlos Machado Bittencourt, Ministro da Guerra. O governo estava alarmado com a possibilidade de mais uma fragorosa derrota, pois dia-a-dia a situação se agravava no acampamento. No plano militar, não havia novas conquistas e a sobrevivência tornava-se insuportável. Um oficial escreveu em seu diário: "a fome tortura, o calor queima, a sede abrasa, a poeira sufoca e os olhos esbugalhados fitam o vácuo".

O Marechal Bittencourt trouxe consigo um reforço de 3.000 soldados, estabelecendo seu Q.G. em Monte Santo e efetivamente toma providencias enérgicas, conseguindo regularizar o abastecimento das tropas em combate.

 

05 de Setembro - 1897

Atingido durante um tiroteio, morre em Canudos, Norberto das Baixas, antigo dono de fazenda em Bom Conselho (atual Cícero Dantas - BA) que foi morar em Bello Monte, transformando-se numa das mais respeitadas lideranças conselheiristas.

 

06 de Setembro - 1897

As torres da Igreja Nova, importantes pontos de defesa da resistência canudense, são derrubadas pela artilharia do Exército. Junto com a torre, veio abaixo o sino e Timotinho, que mesmo durante o conturbado período de guerra, todos os dias, as 6h da tarde, subia à torre da Igreja e tocava a hora da ave-maria. Em um cenário desolado, era um belo e grandioso espetáculo, que ressoava em toda a redondeza.

 

07 de Setembro - 1897

Vencendo uma forte resistência dos conselheiristas, o Exército ocupa a Fazenda Velha, tido como o melhor ponto estratégico para o bombardeio a Canudos.

 

09 de Setembro - 1897

No acampamento militar, as condições de higiene e saúde são péssimas. Escreve Fávila Nunes, correspondente de A Gazeta de Noticias (RJ): "A varíola aqui esta grassando de modo assustador. Temos já cinco hospitais de isolamento, repleto de variolosos. Só ontem deram-se 24 casos novos".

 

22 de Setembro - 1897

Morre Antônio Conselheiro. Para uns, a causa foi um ferimento provocado por estilhaços de uma granada; para outros, foi "caminheira" (disenteria), e ainda há os que acreditam que ele não morreu em Canudos. Estas são as últimas palavras escritas por Antônio Conselheiro em Bello Monte: 

É chegado o momento para me despedir de vós; que pena, que sentimento tão vivo ocasiona esta despedida em minha alma, à vista do modo benévolo, generoso e caridoso com que me tendes tratado, penhorando-me assim bastantemente. São estes os testemunhos que me fazem compreender quanto domina em vossos corações tão belo sentimento! Adeus povo, adeus aves, adeus arvores, adeus campos, aceitai a minha despedida, que bem demonstra as gratas recordações que levo de vós, que jamais se apagarão da lembrança deste peregrino. (NOGUEIRA, 1974:181)

 

23 de Setembro - 1897

A estrada de Várzea da Ema, último canal de reabastecimento e contato externo de Canudos é tomada pelo Exército. Finalmente, o cerco das forças militares estava completo. A partir de agora ninguém mais poderia sair ou entrar no Arraial.

 

01 de Outubro - 1897

A guerra de Canudos já durava quase um ano. Oito dos principais jornais do pais enviaram correspondentes ao palco da luta e as notícias não conseguiam explicar tanta dificuldade e demora de um Exército bem equipado em destruir um reduto sertanejo. As perdas militares eram extraordinárias e a impaciência e o cansaço tomavam conta de todos. Os Generais Artur Oscar, Silva Barbosa e Carlos Eugênio, decidem não esperar mais, e mobilizam 5.871 homens num choque a toda carga sobre o núcleo central de casas, o último reduto da resistência canudense. Revelando mais uma surpreendente tática de guerrilha, os conselheiristas utilizam fossas subterrâneas que interligam as casas, permitindo ampla mobilidade de ação e com isso provocando muitas baixas na tropa.

Depois de várias horas de fogo cerrado, os soldados conquistam os escombros da Igreja Nova, a mais importante trincheira de defesa do Arraial. Este feito foi comemorado de forma entusiasmada, com o hasteamento da bandeira e execução do hino nacional. Mas, inesperadamente uma tempestade de balas desce sobre a praça. Vinham das ruínas, da fumaça, de tudo o que já fora destruído. Era como se viesse do nada, mas vinham, e causavam muitos estragos. Em resposta, o Exército lança 90 bombas de dinamite e muitas latas de querosene. Depois de três meses de intenso bombardeio, agora o fogo tomava conta do Arraial.

Pagina(s):  1 2 3
 
Tel.: (71) 3334-5681
portfolium@portfolium.com.br
©2007 Portfolium Laboratório de Imagens